Sumário 20: Comprar voto é Efetivo?

Em São Tomé e Príncipe, Vicente acompanhou a entrega de panfletos informando que a compra de votos é ilegal e estimulando os cidadãos a votar de acordo com suas consciências. Isso aumentou o número de eleitores que compreenderam que eles não devem vender seus votos; entretanto, isso desestimulou o comparecimento dos eleitores e aumentou a porcentagem de votos do incumbente. Vicente teoriza que os adversários eram os que mais tendiam à compra de voto. Se não, a intervenção teria efeitos diferentes.

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Category: Corruption, Elections

Tags: corrupcion, africa

Date of Publication: Wednesday, March 25, 2015

EGAP Researcher: Pedro Vicente

Geographical Region: Africa

Research Question:

Será que uma campanha informativa informando os eleitores de que a compra de votos é ilegal na S + T desencorajar a compra de votos?

Preparador: Seth Ariel Green

Portuguese, Brazil

Contexto:

São Tomé e Príncipe (ST&P) é uma nação-ilha, de língua portuguesa, no Golfo da Guiné, com cerca de 193.000 cidadãos, onde o petróleo foi descoberto no final da década de 1990.  No país, houve um golpe militar em 2003 e uma tentativa de golpe em 2009, mas as eleições são consideradas livres. A compra de voto é uma ocorrência comum; em uma pesquisa conduzida por Vicente, 64% dos entrevistados disseram que presenciaram compra de voto em suas áreas. 

Mapa: São Tomé e Príncipe (Figura 2, pág. F364)


Projeto de Pesquisa:

Em 2006, 10.000 panfletos que enfatizavam a ilegalidade da compra de voto foram distribuídos para famílias. 

(Figura 1, pág. F362)

Canvassers também avisou verbalmente os cidadãos que eles deveriam votar de acordo com suas consciências. Depois das eleições parlamentares, mas antes das eleições presidenciais, uma amostra representativa de tratamento e de cidadãos não-abordados foi feita sobre as percepções da compra de voto, corrupção em general e comportamento eleitoral. Nesse momento, os cidadãos receberam um cartão postal pré-pago com um pedido escrito de que enviassem os resultados de módulos de corrupção, e ouviram que se 50% dos entrevistados mandassem os cartões postais, os resultados seriam publicados. Depois das eleições, os mesmos eleitores que foram entrevistados sobre suas percepções sobre a compra de voto e seu comportamento eleitoral nas eleições presidenciais.

This large-scale experiment suggests that discouraging vote-buying has measurable effects on elections, but perhaps not those that policy-makers might want. Decreasing voter turnout and increasing the incumbency advantage may be undesirable in many contexts. This experiment serves as a good reminder that well-intentioned interventions may have unanticipated consequences.

The extent to which ST&P generalizes to other democratic countries is debatable. Future replications might answer this question.

 

Resultados:

Primeiro, a percepção sobre a compra de voto nas eleições passadas não foi substancialmente diferente entre as amostras e o objeto de comparação. Vicente interpreta esse fato como: as pessoas em condições de amostragem não foram falando aos entrevistadores o que elas supunham que eles queriam ouvir (viés de conformidade). Não houve diferenças significantes entre os grupos de tratamento e de controle na probabilidade de enviarem o cartão postal.

Segundo, eleitores que receberam o panfleto tinham mais probabilidade a reportarem que a compra de voto não influenciou os resultados das eleições presidenciais e que os eleitores agiram em boa consciência.

Terceiro, a campanha diminuiu o comparecimento dos eleitores em 3 a 6% pontos percentuais, fato que sugere que a compra de voto pode influenciar a participação.

Quarto, a campanha diminuiu o comparecimento da oposição e aumentou a participação dos que já estavam no poder, ambas em 4 por cento. 

 

Resultados:

Este experimento de larga escala sugere que desestimular a compra de voto tem efeitos consideráveis nas eleições, mas talvez não os efeitos não sejam os esperados. Diminuir o comparecimento dos eleitores e aumentar a vantagem dos incumbentes pode ser indesejável em várias maneiras. O experimento serve como um bom lembrete que intervenções bem intencionadas podem ter consequências não antecipadas.   

A extensão de quanto a experiência de ST&P a outras democracias é discutível. Futuras replicações podem responder a essa questão.